Salários de professores universitários, no Brasil e no exterior


Reportagem de Sabine Righetti de hoje no Jornal Folha de S. Paulo mostra paralelo entre os salários pagos para professores universitários no exterior e no Brasil.

Salário de docente no Canadá paga 2 no Brasil – Sabine Righetti

Professor universitário brasileiro vive ‘sem conforto’, segundo estudo internacional que fez pesquisa em 28 países

Levantamento compara salários de instituições dos cinco continentes; no Brasil, instituições públicas pagam melhor

Ser professor universitário no Brasil pode não ser mais tão vantajoso. Um estudo inédito que compara o salário de docentes de 28 países mostra que as universidades por aqui têm bons benefícios, mas deixam a desejar nos holerites. Em média, um professor universitário no Brasil ganha U$S 4.550 mensais (cerca de R$ 8.500) quando atinge o topo da sua carreira. Isso corresponde a cerca de metade do que receberia em instituições do Reino Unido ou do Canadá (veja infográfico, a seguir – clique para ampliar).

Considerando o custo de vida local, um docente brasileiro não consegue viver “com conforto”, afirma o trabalho.

A compilação está no livro “Paying the Professoriate” (Pagando os Professores, Ed. Routledge), lançado neste mês. O trabalho foi coordenado pelo Centro Internacional de Ensino Superior da Boston College (EUA) e pela Universidade Nacional de Pesquisa de Moscou (Rússia).

No Brasil, os maiores salários estão nas universidades públicas, que concentram 91,6 mil dos 132,4 mil professores com dedicação integral. Apesar de receberem mais, os docentes dessas instituições têm o pagamento padronizado conforme cargo e formação. Ou seja: professores titulares de universidades estaduais paulistas, por exemplo, terão o mesmo holerite.

“Os salários fixos são um problema quando se quer trazer pessoas excepcionais para o ensino superior nacional”, analisa o sociólogo e cientista político Simon Schwartzman, autor do capítulo brasileiro do estudo.

Universidades públicas de países como China e EUA, por exemplo, podem fazer propostas e contratar docentes conforme desejarem -inclusive estrangeiros. Isso cria um ambiente de competitividade que, dizem especialistas, pode ser benéfico para as universidades.

Os salários analisados no trabalho, porém, não consideram alguns benefícios. Docentes com cargos administrativos, como chefia de departamento, recebem extras.

BOLSA E APOSENTADORIA

Se a produtividade científica for alta, o complemento vem do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento), que paga uma bolsa mensal de R$ 1.300,00.

“Em geral, as condições de trabalho na universidade brasileira são boas e atrativas”, analisa Schwartzman. Além disso, vantagens como a estabilidade de emprego e a aposentadoria integral também atraem os docentes às instituições públicas. A pesquisa destaca ainda que o “engessamento” de salários evita desníveis entre regiões do país, áreas do conhecimento ou gênero. É o que ocorre, por exemplo, no Canadá. Lá, uma professora ganha 20% menos do que um colega homem.

Não conheço o livro recente utilizado para a elaboração da reportagem. Simon Schwartzman é um estudioso do assunto, há muitos anos. Recomendo aos leitores conhecer o site dele (aqui), que tem muitos textos relacionados à educação. Em 1992 o Prof. Schwartzman publicou, em conjunto com a Professora Eunice R. Durham, o livro “Avaliação do Ensino Superior”.

Os salários de professores universitários no exterior podem variar de acordo com sua área de atuação, com a obtenção de auxílios à pesquisa (que garantem adicionais salariais) e com a senioridade, por exemplo. Se observarmos a tabela abaixo, extraída do 2011-2012 Salary Survey Reports, publicado pelo Association to Advance Collegiate Schools of Business (ou seja, da área de negócios (administração?); veja aqui], podemos verificar que o salário médio pago para professores efetivos (full professors) recém-contratados na área de business é US$ 172.100,00/ano. Isso corresponde a US$ 14.341,67/mês. É mais do que o triplo do que o salário médio de um professor universitário brasileiro no topo da carreira, de acordo com o valor da reportagem de Sabine Righetti.

Quando consultamos os valores médios dos salários dos professores universitários de diferentes instituições dos EUA na página da “The Chronicle of Higher Education” (aqui), observamos que no período 2011-2012, para os professores da University of California em Berkeley, por exemplo (que é uma universidade pública estadual), o salário de um professor efetivo (full professor) é de US$ 154.000,00/ano, em média. Isso corresponde a US$ 12.833,34/mês, quase 3 vezes o salário médio de um professor universitário brasileiro no topo da carreira. Mas o poder de compra deste salário depende onde o professor vive.

O custo de vida na cidade de São Paulo é um dos mais altos do mundo, na verdade o 10º segundo avaliação (ranking) publicada pela City Ranking Economics (veja aqui). Além disso, há que se levar em conta vários fatores para se analisar a validade de um “salário confortável”. Tudo depende do caso. Depende se o professor tiver filhos. Depende se o professor morar perto de seu trabalho ou não. Depende de seu estilo de vida.

Cabe assinalar que a concessão de Bolsa de Produtividade em Pesquisa pelo CNPq não é automática, como poderia parecer.

Em termos das 3 estaduais paulistas, o salário de professor titular (topo da carreira) é de R$ 11.802,81 (veja aqui). Depois de 20 anos de carreira, um professor titular teria como salário este valor acrescido de 4 quinquênios mais a sexta parte, o que corresponderia a aproximadamente R$ 22.0000,00/mês. Isso porque cada quinquênio é calculado de acordo com o salário vigente à época da concessão. Ou seja, se o primeiro quinquênio for de salário de professor doutor, o segundo e o terceiro forem de professor associado e o quarto de professor titular, isto leva a um adicional de R$ 9.898,03. Considerando-se ainda o 13º salário e o adicional de férias, isto levaria a um total de R$ 288.621,17/ano. O que corresponde a US$ 160.345,11/ano, ou US$ 13.362,09/mês. E assim o salário de professor titular das 3 universidades estaduais paulistas está no topo da tabela apresentada na reportagem da FSP de hoje. É maior do que o salário dos professores de Berkeley.

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41 respostas

  1. Existem diferenças que não são computadas no cálculo. Primeira delas é a comparação entre a média dos professores de Berkeley com as universidades paulistas, ou brasileiras em geral. Está se comparando o incomparável, para ser professor estável em qualquer universidade norte americana é necessário dez anos, aqui depois de entrar é necessário dois ou três.

  2. Existem diferenças que não são computadas no cálculo.

    Primeira delas é a comparação entre a média dos professores de Berkeley com as universidades paulistas, ou brasileiras em geral, o nível médio é completamente diferente, não sei se a massa de professores brasileiros ingressariam em Berkeley, é um pouco de presunção de nossa parte.

    Segunda delas é os critérios de estabilidade, pois para ser professor estável em qualquer universidade norte americana é necessário dez anos, aqui depois de entrar é necessário dois ou três anos de um estágio probatório que dificilmente o professor “roda”.

    Terceira delas é a necessidade de caros planos de saúde para garantir os problemas mais sérios, se temos uma dor de cabeça passamos no SUS e talvez daqui a dois anos tenhamos a primeira consulta, entretanto se precisamos um transplante do coração ou uma quimioterapia temos no SUS, ou seja para grandes pepinos estamos cobertos, para os pequenos nem tanto.

    Quarta coisa que devemos comparar, principalmente com os professores europeus, é o imposto de renda, enquanto aqui é uma mordidinha, em outros países chega a 60% do salário bruto. Se tem retorno, mas o que eles colocam no bolso é uma fração do que eles ganham.

    Quinto e talvez o mais importante, é a relação PIB per capita e salário de professores, aí estamos numa posição extremamente confortável em relação a outros países.

    Não sei porque não foi feito a comparação entre uma universidade média norte-americana com a universidade brasileira, aí se veria que não estamos tão mal assim.

    • Oi Rogério,

      Minha comparação entre as paulistas e Berkeley é pelo fato de todas estas serem estaduais públicas. Estou comparando os salários, somente. Não o perfil dos professores/pesquisadores.

      A estabilidade nas universidades dos EUA é depois de 7 anos (que eu saiba).

      Não tenho certeza se os professores universitários usam o SUS.

      O salário que se compara é sempre o bruto. Aqui a dedução do imposto de renda é de 27,5%.

      É como você diz: não estamos mal, não. Muito pelo contrário.

      • E a estabilidade no RDIDP nas estaduais paulistas é depois de 6 anos.

      • Oi Christina,

        O estágio probatório na USP é de 6 anos. Na UNESP é de 3 anos. Não sei quanto tempo é na UNICAMP.

        Na USP o candidato deve apresentar um relatório a cada 2 anos do estágio probatório. Se for aprovado em todos, depois de 6 anos ganha estabilidade no emprego.

        Tudo de bom,
        Roberto

    • Oi Rogério,

      Lembrei de uma coisa: o salário dos professores universitários dos EUA é de 9 meses somente. Pelo que sei (mas posso estar enganado), eles não são pagos durante os 3 meses de férias.

      Roberto

    • A notícia abaixo foi publicada na revista Nature (NATURE|Vol 464|18 March 2010).

      Nearly a third of faculty members at US universities had salary reductions in 2009–10, according to a national survey of 822 institutions and almost 220,000
      faculty members and researchers. For those who received pay cuts, the median cut was 3%. About 21% of faculty employees received no pay rise. Results of the survey, conducted by the College and University Professional Association for Human Resources in Knoxville, Tennessee, were released on 8 March. The poll found that the average salary for a professor in biological and biomedical sciences was US$91,184, and $88,147 for a professor in physical sciences.

      Os valores são anuais.

    • O problema é que também nos EUA é necessário gastar uma BOA quantidade do salário com planos de saúde, ou esquecestes que a saúde norte-americana é 99,999% privada.

  3. Roberto

    Mais um pouco vamos ser consideradas pessoas “non gratas” no movimento docente!

  4. Li que na Filandia o professor tem um ótimo salário. Me parece estranho a ausencia da Filnlandia que tem a melhor educação pública do planeta não estar nesta lista..

    • Oi Maria,

      Note que estamos falando de professores do ensino superior. Não de professores do ensino médio ou fundamental.

      abraço,
      Roberto

  5. Pior que as estaduais paulistas, além de terem os melhores salários e alta produtividade, também encabeçam os problemas de fraude academica, vide nos jornais. Ou seja, existe uma corrida nestas universidades por publicar qualquer coisa, mesmo que falsa, para subir os ganhos e ganhar novo ranking salarial. Uma vergonha. Muitos artigos, e muito ruins.

    • Oi Rafa,

      “encabeçam os problemas de fraude acadêmica”. Esta sua afirmação é forte, embora tenha seu fundamento pois se refere a casos relatados. E os não relatados?

      “corrida nestas universidades para publicar qualquer coisa”. Hum. Será?

      “mesmo que falsa”. Você está generalizando a partir de pouquíssimos casos. Quantos mesmo? 4? 5? Você sabe quantos professores têm nas 3 universidades estaduais paulistas? Mais de 10.000, no total (USP, UNESP e UNICAMP). Ou seja, os casos relatados correspondem a menos de 0,05% do total de professores. Você considera isso significativo?

      “Muitos artigos, muitos ruins”. Se quiser me enviar uma análise numérica que dê suporte à sua afirmação, eu publicarei aqui no blog sem qualquer alteração.

      Roberto

      • Obrigado Roberto por responder. Realmente entendo seu ponto de vista, mas eu conheço muitos pesquisadores da USP, UNESP e UNICAMP e estou ainda por conhecer qual deles recusa terminantemente participar de artigos como autor sem ter feito nada ou que verifique de perto os dados brutos para se assegurar de que os dados nunca foram manipulados. Orientador e amigo de orientador como coautor de graça virou prática corriqueira (em detrimento de técnicos e ICs aplicados), admita. O Sr. fez parte de experimentos, interpretou dados e escreveu partes de todos os artigos que coautorou?
        Picotar resultados em diversas revistas (salame) me parece muito frequente, e plágio e autoplágio mais frequente ainda. Pelo que me consta isso td é fraude. E me parece disseminado. Será que os casos sao poucos ou que 99% deles ficam impunes ou longe da mídia? A lógica do próprio cientista pode dizer.

        Realmente eu acho os artigos de meus colegas destas universidades numerosos e tecnicamente ruins. Mais colegas no exterior pensam igual… O Brasil produz ciencia ruim, e claro que existem os melhores naquilo que é ruim. O dia que o sistema admitir isso, as coisas podem mudar.

      • Caro Rafa

        Este tipo de comentário não pode ser levado levianamente, primeiro porque com a profusão de pesquisadores e pesquisas que há no mundo hoje em dia é muito fácil tu estar estudando, e o teu resultado e o de outro pesquisador for correto, chegares as mesmas conclusões que o outro!

        Quanto aos orientadores, há outro problema, com a falta de orientadores em alguns setores os professores são obrigados a assumir uma quantidade considerável de orientados (além da carga didática e administrativa), com isto muitos orientadores tem pouco tempo para analisar todo o desenvolvimento do trabalho e se o seu orientado “sai da linha” muitas vezes é difícil verificar.

        Outro assunto, é a co-autoria, há aproveitadores, como tu citas, mas há também professores renomados que de uma forma imprópria, mas de boa vontade, “emprestam o seu nome” até para dar mais peso ao trabalho do aluno. O certo é fazer como em boas universidades norte-americanas, onde só vai o nome do aluno, porém por imposição de agentes financeiros, como a Capes e do próprio pós-graduação, o aluno tem por obrigação entregar um número X de trabalhos para obter o seu mestrado ou doutorado, se não fosse feito alguns “expedientes” talvez este aluno não lograsse êxito na sua tarefa.

        Outro caso são os coordenadores de grandes equipes, estes ficam assoberbados de tarefas administrativas que o impedem de produzir tecnicamente, porém todo o suporte advém do seu trabalho, como não há contagem de “pontos” por estes trabalhos maçantes e tediosos, o coordenador se ficar muito tempo na sua tarefa, termina sem nenhuma produção intelectual.

        Este assunto é multifacetado que deve ser analisado caso a caso, pois generalizações levam a erros imensos e totalmente injustos.

      • Muito obrigado pela resposta, professor! Em alguns pontos, como o começo, me perdi. Eu sei que o assunto é desconfortável mas eu tenho a certeza de que a ética de publicação brasileira é muito diferente da internacionalmente pregada. Nos pontos em que isto é reprovável, isto muito me desanima. E eu sei bem de perto como ela caminha nas universidades paulistas, e como isso se encaixa nos sistemas de emprego e bonificação. Eu não acho que isso vá mudar. Eu que devo me mudar para outro lugar, e vou sempre relatar tudo que vi e tentar fazer diferente.

      • Oi Rafaela,

        Note que não fui eu quem respondi ao seu comentário.

        Pretendo fazer isso mais tarde. Pode ser?

        Tenha certeza de que tua opinião é muito importante. Pelo menos eu acho.

        Roberto

      • Caro Prof. Roberto
        O Rafa traduziu o que eu sentia. Eu acho que o Sr. apenas respondeu com relação a postura do orientador. Ainda apenas neste ponto, eu discordo. Se o orientador possui pouco tempo pois assumiu tarefas demais, ou ele aceita produzir pouco (e fica com pontos baixos) ou ele divide as tarefas. O errado é ele entrar de graça em trabalho dos outros. Justificar que ele que possibilitou o trabalho é injusto, pois neste caso ele não orientou, e as instalações são publicas e o dinheiro vem da agencia (ela é coautora?). Justificar que o nome do chefe dá peso ao trabalho é deturpar o sistema, pois o peer-review deve ser anônimo, e bem sabemos que os autores brasileiros são quase totalmente desconhecidos (alguns até desacreditados) em escala mundial. Realmente aqui na UNICAMP a coisa funciona como o Sr. diz e eu acho isto injusto baseado nas diretrizes internacionais, sugiro leitura das normas da COPE. Obviamente alguns podem achar que a COPE é que está errada. Acho muito produtivo que isto seja colocado assim abertamente, para que mais pessoas possam se informar. Meus parabéns!

      • Oi Paulo,

        Você está se referindo ao meu comentário ou ao do Rogério?

        abraços,
        Roberto

      • Respondendo aos comentários da Rafaela, do Rogério e do Paulo.

        Rafaela:

        Entendo e concordo com seu ponto de vista. Se avaliarmos as diretrizes de ética que estão assinaladas, por exemplo, no site da American Chemical Society (vejam aqui), é dito que:

        “Fragmentation of research reports should be avoided.”

        “The co-authors of a paper should be all those persons who have made significant scientific contributions to the work reported and who share responsibility and accountability for the results.”

        Infelizmente, existem dois fatores que contribuem muito negativamente para os dois pontos assinalados acima em inglês. Em primeiro lugar, aqui no Brasil ainda se valoriza muito mais a quantidade de artigos publicados que estão incluídos no CV Lattes do que a qualidade dos mesmos. Talvez se o pesquisador tiver poucos artigos publicados em revistas extremamente prestigiadas a quantidade pode ser relevada. Mas, no meu ver é importante publicar o melhor que se puder, independentemente da qualidade (ou do fator de impacto) da revista. Infelizmente nem todos pensam assim. Outro fator que contribui negativamente para o cumprimento dos dois pontos assinalados em inglês, acima, é que muitas vezes um coordenador de grupo assume muitas atribuições e/ou funções, e não consegue mais publicar como gostaria. Mas como faz parte de um grupo de pesquisa, seu nome acaba entrando por tabela. Eu gostaria de assinalar pelo menos um caso contrário a este: o do ex-Ministro do MCTI Sergio Rezende. Sergio Rezende continuou publicando somente com seus alunos enquanto era ministro. Este é um exemplo a ser seguido.

        Rafaela, suas colocações neste sentido são extremamente importantes, e deveriam ser objeto de muita reflexão por parte da comunidade científico-acadêmica do Brasil. A existência de consórcios de publicação é simplesmente inaceitável. Inaceitável.

        No mesmo documento da ACS é incluído um parágrafo sobre plágio:

        Plagiarism is not acceptable in ACS journals. ACS journals adhere to the U.S. National Science Foundation definition of plagiarism as “the appropriation of another person’s ideas, processes, results, or words without giving appropriate credit” (45 Code of Federal Regulations, Section 689.1). Authors should not engage in plagiarism – verbatim or near-verbatim copying, or very close paraphrasing, of text or results from another’s work. Authors should not engage in self-plagiarism (also known as duplicate publication) – unacceptably close replication of the author’s own previously published text or results without acknowledgement of the source. ACS applies a “reasonable person” standard when deciding whether a submission constitutes self-plagiarism/duplicate publication. If one or two identical sentences previously published by an author appear in a subsequent work by the same author, this is unlikely to be regarded as duplicate publication. Material quoted verbatim from the author’s previously published work must be placed in quotation marks. In contrast, it is unacceptable for an author to include significant verbatim or near-verbatim portions of his/her own work, or to depict his/her previously published results or methodology as new, without acknowledging the source. (Modeled with permission from Society for Industrial and Applied Mathematics: Authorial Integrity in Scientific Publication http://www.siam.org/books/plagiarism.php).

        Respondendo à sua pergunta “O Sr. fez parte de experimentos, interpretou dados e escreveu partes de todos os artigos que coautorou?” de maneira muito honesta: não, não e sim. Quando nos tornamos orientadores, a realização de experimentos não é mandatória para a co-autoria de um artigo. Mas o orientador DEVE orientar seus supervisionados para que estes realizem seus experimentos da melhor maneira possível. Dos meus supervisionados eu analiso todos os dados. Invariavelmente, acredite você ou não. No que se refere ao segundo ítem, tenho artigos no meu CV Lattes cujos dados foram interpretados por colegas e seus alunos. Depois, os dados foram discutidos comigo. Em alguns casos eu cheguei a olhar estes dados com cuidado. Em outros eu deixei sob responsabilidade de meus colegas que foram autores principais do artigo. Em TODOS os artigos do qual eu fui co-autor eu participei da redação. TODOS. Sem exceção.

        Rogério:

        No que se refere ao seu segundo parágrafo, eu tenho que concordar com a Rafaela. O melhor é que os pesquisadores-orientadores não supervisionem alunos e pesquisadores além de sua capacidade. Já está demonstrado, de acordo com a experiência de muitos, que isso não dá certo. O melhor é limitar o número de orientandos (no início do ano a CAPES publicou uma resolução que limita o número de orientandos de pós-graduação a 8. Esta resolução está em discussão).
        Também concordo com a Rafaela no que diz respeito à seu 3º parágrafo. O melhor é fazer menos, mas melhor.

        Se um pesquisador assume cargos administrativos, deverá estar ciente que isso comprometerá sua produção científica e intelectual. Mas tudo depende da capacidade de organização de cada um. Veja o caso mencionado sobre o ex-ministro, acima.

        Concordo que o assunto é complexo. Mas algumas premissas básicas têm que ser assumidas. Porque os pesquisadores de outros países assumem estas premissas e nós não?

        Rafaela:

        Não desanime. Confie em si mesma. Valores éticos são importantíssimos, e estão na ordem do dia. O importante não é quantidade, e sim qualidade. Publicar melhor é SEMPRE melhor do que publicar muito. Mesmo em revistas de baixo fator de impacto. Esteja certa disso.

        Fique bem, Roberto.

        Paulo:

        Como disse acima, teus pontos de vista são muito importantes. As pessoas que assumem funções administrativas devem considerar seriamente que isso terá um impacto em sua produção intelectual. Porém, exercer cargos administrativos também é importante. Há que se levar isso em conta também. Quaisquer decisões que tomemos têm seus ônus e bônus. Não é possível se ter tudo, sempre. E os colegas têm que reconhecer isso também. Ou alguém nega a importância que educadores e pesquisadores, como Herman Voorwald ou Glaucius Oliva, ocupem cargos-chave relacionados à educação e pesquisa? É extremamente importante que se tenha bons quadros exercendo estas funções.

        Muito obrigado pelos comentários e fomentar esta discussão sobre assuntos tão importantes.

        Roberto

      • Excelente resposta, Prof. Roberto. Desculpe-me mas realmente ficou parecendo que o Sr. tinha respondido. Não estou acostumada a estes threads.

        Eu apenas discordo um pouco da inexistência de necessidade de participação do orientador na obtenção e análise dos dados. Acho que é a única forma de garantir que os dados são fidedignos e que a análise foi limpa. Logo é a única forma de poder responder pelo artigo depois. Não podemos aceitar que no caso de uma retratação por fraude, como no caso da Reitora da USP, que a culpa recaia apenas na primeira autora pois ninguém mais viu os dados brutos. Claro que não sugiro que o Sr. pipete ou faça anotações de protocolo junto com os pós-graduandos, mas que tenha cópia e registro dos dados brutos no momento da obtenção e na análise. Apenas isto já justifica uma autoria 100% válida de um orientador exemplar.

        Eu realmente acredito no que dizes, gostaria que houvesse mais cientistas que pensam o mesmo que o Sr.

        Muito obrigada pela sinceridade!

      • Oi Rafaela,

        No caso da orientação, eu particularmente acredito que a análise dos dados pelo orientador/supervisor é muito importante. Minha experiência mostra que esta é a parte que necessita mais tempo, mas que, por outro lado, se bem feita, garante um trabalho de boa qualidade. Isso porque, na minha opinião, nada substitui a experiência de anos adquirida pelo orientador. Eu tive muita sorte na minha carreira em ter tido excelentes orientadores, de doutorado e pós-doutorado. Recentemente meu ex-orientador de doutorado publicou o último artigo de sua carreira pois, segundo ele mesmo, aposentou-se definitivamente. O legal é que o último artigo de sua carreira foi CAPA da European Journal of Organic Chemistry (vejam aqui). O meu supervisor de pós-doutorado é um dos melhores pesquisadores do mundo na área em que pesquisamos. Ele me deu excelente orientação e conselhos extremamente valiosos, os quais eu transmito para meus alunos. Além disso, eu também tenho a sorte de trabalhar em uma instituição de excelência, com alguns colegas que fazem pesquisa de altíssimo nível. Trocamos muitas ideias sobre estes e outros assuntos. Estes colegas, daqui do IQSC, me indicam vários artigos que eu discuti aqui no blog. Felizmente o ambiente acadêmico em que trabalho é excelente. Por isso eu digo que vale a pena ser professor universitário e batalhar por valores que sejam inovadores, construtivos e republicanos.

        Não desista, Rafaela.
        Tudo de bom,
        Roberto

  6. Só um ponto…
    Os professores federais pós década de 90 não tem direito aos quinquênios!
    Só aí já perdemos muito.
    E nas federais, a passagem para titular não é comum ou fácil. Exemplo: Quantos titulares tem a Federal de Goiás por exemplo?

    • Caro Mr. Hankey,

      Eu não conheço os detalhes da carreira docente nas Universidades Federais do Brasil.

      Mas sei que o número de professores titulares nas federais é baixo.

      abraço,
      Roberto

      • O caso dos Titulares nas universidades federais é interessante. Não há mais devido a uma instabilidade jurídica que há na passagem de professor do quadro de adjunto ou associado para Titular do que por problema de vagas.

        Como a carreira de professor Titular é considerada outra carreira, tanto que é necessário para passar para esta concurso público de provas e de títulos, alguns benefícios que os professores mais antigos tinham poderiam ou podem ser retirados, resultando que um professor associado termine ganhando menos quando passa a titular (é necessário pedir demissão do cargo de adjunto ou associado para assumir o de titular). Questões estas como a aposentadoria integral e outras (o professor Titular deverá fazer estágio probatório de 3 anos, e se tiver alguma inimizade no departamento poderá ficar com problemas!).

        O caso era tão claro que o movimento docente preferiu reivindicar a criação do associado do que vagas para titular!).

        Por outro lado, os direitos e obrigações dos professores titulares são exatamente os mesmos que os outros, e se contarmos o estágio probatório ele fica até mais fragilizado.

        Outro motivo para não haver tantos titulares é que para o ingresso, como foi acima dito, o professor terá que prestar uma prova que é aberto a todos que tenham capacidade para tanto, isto colocaria em risco a credibilidade de alguns, pois simplesmente podem ficar em segundo ou terceiro lugar ou até rodar! Professores em geral gostam de fazer provas, ou melhor obrigarem os alunos a fazerem provas, porém eles mesmos a fazerem, não está muito no menu de cada um.

        Outro problema, para abrir vaga de titular precisa utilizar outra vaga existente de associado ou adjunto.

        Mais outro problema, em concursos para titular, aparecem meia dúzia de velhotes e velhinhas em fim de carreira de toda a parte do país que querem ganhar o título, vão trabalhar efetivamente no máximo cinco anos e pedir aposentadoria, logo pode o departamento ficar com o problema de carga horária logo, logo.

        Teria a relatar outros motivos, mas deixa para lá.

  7. MUITO BOA ESTA MATÉRIA, ME AJUDOU DEMAIS!!!

  8. eu sou criança, e meu pai é professor de matematica, e eu que quero um video game dos sonhos e parecem que voces conheçem, entao, OLHA O SALARIO AQUI NO BRASIL MAIS DO QUE UM AUMENTO DE 345 REAIS!!!!!!!!!!!!!!!!! ISSO E UM ABSURDO, E AQUI SÓ TEM VIDEOGAME CARO

  9. Profs. Roberto e Rogerio, sobre a discussao dos salarios dos prof. universitarios, com certeza outros da mesma categoria concordam que nao ganham tao mal assim! Tem que se olhar a realidade do pais e se indignar com um salario minimo de 600Reais! Com a falta de politica publica para a saude! Com a ausencia de transporte! Obrigada pela lucidez da discussao. Zelia

  10. Acho que prof. universitário no Brasil ganha razoavelmente bem, principalmente os federais, principalmente se comparamos com o salário minimo de 622 reais, e além que um prof, no Brasil promove ou retorna para a sociedade 10x menos que um prof. nos EUA por exemplo, a qualidade de ensino, a didática etc, tenho 17 professores no meu curso de economia e por volta de 14 deles apenas apresentam textos antigos, power point com textos etc. nada de aula de qualidade, e ganham mais de 7 mil reais alguns (os piores em sala de aula) ganham mais de 14 mil. ABSURDO AINDA FAZEREM GREVE.

    • Caro Andrew

      Acho um muito temerário da tua parte inventar estatísticas como a que um professor dos USA rende 10 vezes mais que um professor brasileiro. Tenho contatos numerosos tanto com professores Norte-americanos como Europeus, e não sei da onde tiraste este número.

      Comentários de alunos são eivados de preconceitos e acho que o teu é um deles. Se comparares o rendimento de professores de escolas médias norte-americanas verás que a distância não é tão grande, agora se comparares as melhores universidades norte-americanas com as brasileiras aí se tem diferença.

      Tenho alguns alunos meus que foram fazer doutorado sanduíche nos USA, e na parte que milito não tenho registro de grandes disparidades.

      Agora a estrutura norte-americana é voltada para o professor pesquisar e para isto ele é livrado ao máximo de tarefas tais como correção de provas, burocracia e outra tarefas não fins. É outra estrutura, e se fores contar o que custa para uma universidade norte americana de bom nível um professor com todo apoio que ele tem (monitores, burocratas diversos, etc.), o custo dos nossos congêneres norte-americanos é extremamente alto.

      Generalizações e ilações como a que tu fazes é que dificulta o ensino no Brasil, um curso de qualquer assunto nos USA tem uma duração em termos de hora aula muito menor que no Brasil, com uma pequena diferença, antes de entrar na aula o aluno já sabe do assunto (coisa que aqui também acontece) e ele já estudou a aula que virá. Nossos alunos são bem diferentes, quando eles entram em aula, geralmente eles nem sabem o que foi dado na aula anterior. O professor no Brasil, é professor, monitor e administrador, é outra realidade.

      • Infelizmente não vi este texto antes…
        Mas concordo plenamente com o que disse. Sou professor universitário e a maioria de meus alunos demonstra não ter estudado nem o conteúdo da aula anterior. Acho muito engraçado o fato de que alguns reclamam quando o professor é “relapso” ou desatualizado, mas se encontram um professor “preparado” que por sua vez exige um certo grau de qualidade tanto nas aulas quanto no feedback, os alunos reclamam.
        E agora? Se é “fraco” reclamam, se é “bom” reclamam?
        Ser professor no Brasil ainda está longe de ser maravilhoso.
        Totalmente ruim não é, de jeito nenhum. Mas está longe de ser pelo menos razoável.
        Abraços.

      • Renan
        A tua observação é valiosa, o nosso aluno, mais acostumado com uma sociedade cartorial e patriarcal espera ser conduzido passo a passo pelo professor. Quanto mais prontos forem os esquemas, quanto mais lineares em termos de perguntas e respostas, mais eles ficarão satisfeitos, não se procura criar uma mentalidade de autodidatismo.

        Eu nesses últimos anos adotei uma forma de trabalho que lhes obriga a trabalhar por conta, no início foi um verdadeiro Deus nos acuda com uma avalanche de reprovações que saía do normal, com o tempo eles verificando que o método mais os preparava para a vida profissional do que responder provas, começaram a aceitar e o resultado foi que os mesmos encontram-se melhor preparados que outros engenheiros.

        Mas o problema não termina aí, há uma percentagem de alunos refratários a ter que se esforçar mais, que continuam com o mesmo espírito que relataste, porém apesar disto eu também sou refratário a opinião destes alunos (não os que querem apreender), por sorte a universidade apoia atitudes como a minha e cada vez menos eles ficam revoltados com a necessidade de estudar “por fora” mais. Há o famoso “choro” tentando justificar o desleixo por outros motivos, mas não há mais revolta, eles enxergam que o resultado final é melhor, algo que procuro deixar claro.

        Eu estabeleci um padrão de exigência mais elevado, mas um padrão que fica claro aos alunos que o lucro será deles e acho que isto é o mais importante, para dar um exemplo em 35 anos que leciono não tive um pedido de revisão de prova ou de conceito, coisa que é inusitada para professores mais rigorosos, também não fujo um milímetro do que previamente acordado e talvez neste ponto que seja o erro de muitos professores, a falta de clareza tanto no que lhes é entregue e no que lhes é exigido.

        Temos que considerar um curso como uma espécie de contrato, o acordado por ambas as partes deve ser cumprido, não cabendo reclamações por ambas as partes. Dá trabalho, mas posso dizer no momento em que me preparo para a aposentadoria que ser professor para mim é maravilhoso, mesmo que existam coisas como cuidar e corrigir provas que estão na minha lista de tarefas a serem cumpridas mas nem por isto deixam de ser um suplício.

      • Apesar dos benefícios da carreira e da equiparação salarial dos professores universitários de universidades publicas, gostaria de levantar uma questão que ainda não foi discutida aqui. Os professores federais e das estaduais(não sei se em todas) são obrigados a darem aulas, mesmo que prefiram fazer pesquisa e não gostem de lecionar. Talvez seja por isso que existam muitos que dão aulas bem ruins e de qualquer jeito, como eu tenho alguns na universidade. E eu vejo que o problema não é a falta de interesse do aluno, pois na minha turma da faculdade de medicina, todos se interessam muito e se dedicam quando o professor é bom, comprometido e pontual(mesmo que seja rigoroso ou que tenha aulas que excedam o horário de término).
        Por isso, acredito que alguns deveriam apenas dar aula para pós-graduação ou senão deveria existir a carreira de PESQUISADOR.
        Enquanto outros não gostam tanto de fazer pesquisa, mas são obrigados para complementar a renda ou para aumentarem o lattes(talvez por isso existam tantas publicações “lixo”). Não que eu ache que o professor poderia não ser obrigado a fazer pesquisa, mas esses que gostam deveriam poder aumentar sua carga horária de aulas, fazer menos pesquisa e se bem avaliados por alunos receber um extra(assim como a bolsa pesquisador).

        Bom, agora analisando o salário, o cara pra ganhar 9000 reais, que segundo o texto é a média de salário de professor universitário no brasil, tem que fazer pelo menos doutorado para receber este salário. Ou seja, depois de 10 anos de estudo ele recebe esse salário para 40 horas semanais não é ruim, lembrando que a carreira médica( média, depois da residência, 10 anos de estudo) que é vista como a profissão mais bem paga tem nas carreiras publicas NENHUM, NENHUM, que tenha remuneração igual a essa próximo a contratação.

  11. que desgraça isso hoje em dia é uma desgraça sinceramente não se o que fazer Meu Deus ajuda-nos

  12. Sou formada em Direito e estou estudando para a seleção de mestrado da USP em Direito Processual Civil. Meu sonho é ser Professora Universitária. No entanto, não tinha noção de nada disso do que está escrito aqui. Gostei do posicionamento do Professor Roberto e do Rogério. Muito valiosa a discussão!

  13. Sou aluno mestrando de Engenharia Química da FEQ – UNICAMP. E pretendo atuar no ensino superior. No entanto eu sou leigo no assunto.
    Gostei da discussão. É muito salutar.

  14. Sou cidadao britanico com formacao universitarie em gestao internacional de turismo e pos graduacao em ralacoes internacionais. Fluente em portugues, espanhol e ingles. Quero me mudar para o brasil. alguma dica em relacao a empregos? o que fazer e como procurar.

  15. Nao pode comparar a competencia de um professor universitario no Brasil e professor de Berkeley!

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