Histórias da ciência no Brasil


Número especial da Revista de História da Biblioteca Nacional (publicado em outubro, 2010), no meu ver a melhor revista do gênero, é dedicado ao legado histórico da ciência do Brasil, tanto no contexto nacional como internacional. O número conta com os seguintes artigos:

Retratos da segregação – Maria Helena P. Toledo Machado (Universidade de São Paulo): Pioneiro no registro da população brasileira em fotografias, cientista Louis Agassiz contribuiu para formar a ideia da inferioridade racial.

O mobilizador da saúde pública – Henrique Cukierman (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia): Levando a ciência ao governo, Oswaldo Cruz empreendeu uma transformação na questão sanitária do país.

O mito de Galileu desconstruído – Roberto de Andrade Martins (Universidade Estadual de Campinas): Com fundamento histórico e abordagem adequada, informações distorcidas podem deixar de ser transmitidas em sala de aula.

África a ferro e fogo – Guadalupe do Nascimento Campos (doutora em arqueologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro): Fato pouco conhecido, a origem da metalurgia no Brasil está vinculada à transferência de conhecimentos tecnológicos de grupos africanos.

Astronomia indígena – Germano Bruno Afonso (Etnoastrônomo do Museu da Amazônia): Conhecimento dos indígenas da família tupi-guarani antecipou teorias do século XVII.

Além do “ordem e progresso” – Maria Amélia M. Dantes (Universidade de São Paulo): Recorrente em textos brasileiros do século XIX, Positivismo deixou de ser reconhecido como teoria científica.

Pesquisa científica é no museu – Maria Margaret Lopes (Universidade Estadual de Campinas): Na ausência de universidades, os acervos de Ciências Naturais foram responsáveis pela pesquisa no Brasil ao longo de todo o século XIX.

Os primeiros passos da química brasileira – Carlos Alberto Lombardi Filgueiras (Universidade Federal de Minas Gerais): Na Sociedade Literária, três pesquisadores abriram caminho para a implantação da ciência.

O Brasil sob o céu de Recife – Heloisa Meireles Gesteira (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro): Durante a conquista holandesa, dois autores fizeram relatos únicos sobre a terra e o povo da Colônia.

O Brasil que conheceu o Brasil – Nísia Trindade Lima (Pesquisadora da Casa Oswaldo Cruz): Na Primeira República, cientistas do Instituto Oswaldo Cruz desbravaram os sertões do país.

Medicina Tropical – Junia Ferreira Furtado (Universidade Federal de Minas Gerais): Da natureza brasileira vieram práticas médicas utilizadas desde o período colonial.

Ciência para todos – Luisa Massarani e Ildeu de Castro Moreira (L.M. é diretora do Museu da Vida/Casa de Oswaldo Cruz; I.C.M. é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro): Há mais de dois séculos, a divulgação científica tem crescido no país, levando a ciência à sociedade.

Projetando o progresso – Pedro Carlos da Silva Telles (Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro): Apesar do reconhecimento tardio, os engenheiros sempre tiveram importante papel no desenvolvimento do país.

O número especial traz ainda uma entrevista com Simon Schwartzman, cientista social formado em sociologia e política pela Universidade Federal de Minas Gerais e presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, e especialista em educação. Além disso, depoimentos de pesquisadores brasileiros sobre a ciência no Brasil, como Gilberto Velho (Museu Nacional – Universidade Federal do Rio de Janeiro), Angelo da Cunha Pinto (Instituto de Química – Universidade Federal do Rio de Janeiro), Francisco M. Salzano (Departamento de Genética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Diógenes de Almeida Campos (Museu de Ciências da Terra), incluídos em um encarte com a cronologia dos principais fatos históricos relacionados à ciência no Brasil.

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3 respostas

  1. Essa Revista de História da Biblioteca Nacional é ótima! Aliás, a própria Biblioteca Nacional é cheia de História, começando com seu lindo prédio na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro.

    Indico a leitura do livro “A longa viagem da Biblioteca dos Reis“, da antropóloga e pesquisadora da USP Lilia Moritz Schwarcz. É um calhamaço de 554 páginas, contando as vicissitudes da travessia do acervo da Biblioteca Real de Portugal para a então colônia, seguindo a Família Real em sua fuga das tropas de Napoleão. Esse foi o núcleo inicial do acervo da atual Biblioteca Nacional. O livro é muito interessante e recheado de ricas ilustrações. Recomendo!

  2. Aproveitando o tópico, eu gostaria de comunicar o lançamento do meu livro ‘Plantas Medicinais e Fitoquímica no Brasil: Uma Visão Histórica’, publicado pela Pharmabooks. É estudo das pesquisas feitas com aqueles temas feitas no Brasil desde a chegada dos primeiros naturalistas, no século XVI, até 2010, passando por Martius, Peckolt, Saint-Hilaire, Langsdorf, pela criação, e extinção, do IQA e da CEME, pela criação dos primeiros centros de pós-graduação na área, etc. O livro está cadastrado no site de Livraria Cultura.

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